24 de janeiro de 2006

Sabendo lembrar



Ah como eu queria caminhar entre as lembranças...
Dominar de vez as minhas eternas esperanças
Deixar de ser assim tão infantil
E assumir definitivamente essa sede de mudança
Chorar, já não consigo
Foram lágrimas demais no meu leito
Aprendi a chorar sêco
A me conformar com a dor latejando no peito
A fingir uma postura de leveza
Mesmo com a armadura que me reveste a alma
E sorrir sempre, mesmo que meus lábios não queiram
Porque no mundo já há tristezas demais
Pudera eu sentar assim na areia
Fechar os olhos antes de suspirar
E caminhar entre os cantinhos da memória
Buscando uma a uma todas as histórias
Viver uma felicidade ali, outra aqui....
Enfrentar novamente vendavais
Ir levando a vida apesar dos temporais
Sonhar novamente os sonhos que não vingaram
Sorrir das coisas bêstas que me calaram
Reiventar enredos magistrais
Talvez pudesse até sentir a alegria
O falso poder dessa magia
Dançando entre lembranças e momentos
Encher de vida todo pensamento
E responder, se perguntada
Que a felicidade é conseguir viajar
Prá dentro das lembranças já vividas
E dentro deste sonho caminhar
Fazer e refazer, reeditar
Como uma bailarina a dançar
No palco desse sonho, levitar
Porque a vida cabe toda nas lembranças
Igual a fantasia de criança.
Leila Abreu/2006

Busca

Existe um lugar neste coração
Onde sombras não entram
Onde lamúrias não têm éco
Onde tristeza passou, mas não ficou
Onde há clamor por justiça
Onde há vontade de ser melhor
Onde borboletas pousam serenas
Onde coisas de amor, guardo de cór
Há um lugar neste coração
Onde a paz fez sua pousada
Onde o medo não tem morada
Onde a onda quebrou silenciosa
Onde o vento não assobiou
Onde o sol brilha noite e dia
Onde impera o amor
Existe um lugar neste coração
Que eu procuro sem cessar
Eu sei que o caminho é longo
Que a trilha é incerta
Mas persisto nesse buscar
De peito e alma aberta
Nem que seja a última coisa
A ser feita neste mundo
Encontrarei a estrada
Que eu perdi na virada
Da curva estreita da vida
Há muitos anos atrás
Numa escura madrugada.
Leila Abreu/2006

21 de janeiro de 2006

Candeeiro


Era noite sem estrêlas
Você chegou sem avisar
Olhou-me fundo nos olhos
Senti que queria amar
Rodopiou pela sala
sorriu com jeito faceiro
Puxou-me pela cintura
Apagou o candeeiro
E lá fomos nós valsando
Sem pressa, mas com certeza
De que a vida é sempre curta
Prá se perder na tristeza
Leila Abreu/2006

Fui tua
Enquanto o amor em mim brilhou
Fui tua
Quando a claridade escureceu
Minhas asas cresceram
E eu, ingenuamente, parti
Porque eu não sabia
Jamais desconfiei
Que a felicidade em mim vivia
E fui buscá-la em outros cantos
Mas não a encontrei
Não pense que choro arrependida
Apenas guardo a doce lembrança viva
Do tempo em que eu fui feliz
Mas não sabia, estava perdida
Fui tua
Hoje já nem sei de quem sou
Não me pertenço e nem a ti
Talvez eu seja apenas um projeto
Projeto de mulher sem dono
Porém, ainda, um ser humano
Sedenta de amar e ser amada
Faminta de viver apaixonada
Á espera do amor que não existe
Que quando existiu eu descartei
Por não estar, ainda, preparada
Leila Abreu/2006

Peregrina


Sim...é preciso partir de vez em quando
Mas também é necessário voltar
Quem viaja sabe
É sempre um prazer retornar
O nosso lar é sempre o melhor lugar
É onde nos sentimos protegidos
É todo nosso mundo
Por isso, preciso voltar a mim mesma
Eu parti de mim há muito tempo
Perambulei mundo afora sem medo
À procura de algo ou alguém
Hoje, de mãos e coração vazio
Sei que é hora de voltar
Deixar de lado toda ilusão
Me conformar com a vida
Sossegar de vez o coração
Sim, é necessário que eu volte
Recomeçar do zero, talvez
Ancorada em mim mesma
Recolher as velas do meu barco
Tentar amar outra vez.
Leila Abreu/2006

20 de janeiro de 2006

Agora é tarde


Agora é tarde
Inês é morta e eu também
Já não há nada
Nem sentimento, nenhum vintém
Agora é tarde
Já não há tempo de reviver
Nada sobrou
Nem a paixão
Nem o tesão
Nem o amor
Agora é tarde
Só há vazio
Deserto, frio
Cantiga triste
Nesse cantar
Agora é tarde
Só há o éco
Da dor que teima
Em me queimar
Agora é tarde
Mas sou guerreira
Nâo vou chorar
Leila Abreu/2006

18 de janeiro de 2006



Meu Deus, me dê a coragem
Clarice Lispector

Meu Deus, me dê a coragemde viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar com este vazio tremendo
e receber como resposta o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços meu pecado de pensar.

Canção da falsa adormecida - Lya Luft


Canção da Falsa Adormecida
Lya Luft
Se te pareço ausente, não creias:
Hora a hora o meu amor agarra-se aos teus braços,
Hora a hora o meu desejo revolve estes escombros
E escorrem dos meus olhos mais promessas.
Não acredites neste breve sono;
Não dês valor maior ao meu silêncio;
E se leres recados numa folha branca,
Não creias também: é preciso encostarTeus lábios em meus lábios para ouvir.
Nem acredites se pensas que te falo:
PalavrasSão o meu jeito mais secreto de calar.

16 de janeiro de 2006

Serena Dor


Tua facada entrou fundo em mim
Mas não chorei, nem vou chorar
A dor já faz parte da minha vida
E esse gostinho, jamais vou te dar
Pode ir embora, não vou te chamar
E nem precisa olhar prá trás
Na tua estação, já não vou estar
Foi tudo apenas um pequeno erro
Um minuto, uma gota de ilusão
Volto, serena, ao meu mundinho
Sentar quietinha no meu jardim
Olhar pro céu, me redimir
Pedir a cura pro meu coração
Leila Abreu/2006

Procura


PROCURA
Autora: Re...Elizabeth

A quem quiser me achar...Busque-me em meio às estrelas
Onde o cosmo se inicia...
Nos esboços de meus rabiscos
No silêncio da noite,
no fundo do mar
Em algum coração apaixonado
Ou amargurado...
Irão me achar
Em algum lugar onde possa riscar
Os amores incertos...
Com o coração despido e alma nua.

13 de janeiro de 2006

Prá sempre


Já não temos certeza desse amor
Mas será que tivemos, um dia?
Os sentimentos são tão independentes....
Vêm, vão...
Melhor contar somente as alegrias
E deixar fora o que feriu
Não lembrar o momento em que
a ternura partiu
E seguir em frente, sempre em frente
Com a lembrança dos dias quentes
Dos girassóis enormes que cresceram
no nosso jardim
Das frutas doces que provamos juntos
Do mergulho nas águas profundas do mar
de paixão que nos afogou
Seremos, então, prá sempre
Porque o amor não precisa ser eterno
Mas eterno é o sentimento
Transmutado em outros tons
Amizade, respeito, carinho
Assim seremos nós
Teremos um lugar especial
Dentro de nossa alma
E lá, estarão nossos risos
E tudo que sentimos
Tudo de lindo
Sómente as coisas boas
Sem ressentimentos, sem amargura
E o que fomos, prá sempre será
Fonte única, referência de amor
Parte do nosso caminhar.
Leila Abreu/2006

10 de janeiro de 2006

Olhos




Olhos de encantar
Olhos de gritar
Olhos de calar
Assim são teus olhos e os meus
Nesse eterno doce-amargo olhar
Abrem crateras e inventam quimeras
Ferem e acariciam
Transcendem o falar
Os Olhos nos Olhos
Os meus e os teus
Feitos um para o outro
Às vezes sorriem
Às vezes se fecham
Prá não machucar
São olhos de olhar
Olhar o futuro
Olhar o passado
Partilhar segredos
Medir o desejo
Do medo, do beijo
E sintonizar
Assim são teus olhos
Assim são os meus
Olhos que se cruzam
Se olham, se clamam
Se chamam prá cama
Pro cio sacana
Com sede de amar
Leila Abreu/2006

9 de janeiro de 2006

DEUS ESTÁ, DECIDIDAMENTE E PRINCIPALMENTE, NOS DETALHES.

Poeminha meu


Poeminha meu
Já é tão tarde, me deixa dormir
Não me incomode, não me faz alarde
Madrugada fria, não me tira o sono
Amanhã prometo
que levanto cedo
que te dou a vida
que te escrevo em rima
sem perder o tom
Poeminha meu
Vê se te recolhe
vem deitar e dorme
temos muito tempo
prá desenvolver
Amanhã é dia
Largo tudo e sento
Deixo você vir
Mas agora não
O sono bateu
Me amoleceu
Não vou conseguir
Me deixa dormir
Poeminha meu
Fica sossegado
Amanhã te escrevo
Faço e aconteço
Mas agora deixa
quero descansar
Te sonhar quem sabe
Prá amanhã, sem falta
Te fazer poema
Te escancarar
Te botar no mundo
Prá nos libertar
Leila Abreu/2006

Porta-jóias



O coração tem um lugar secreto
Onde se guardam lembranças e emoções
É como se fosse uma delicada caixinha
Dessas que só de olhar, dá vontade de abrir

Bordada de conchinhas e pedrinhas
Misteriosamente encantadoras
Como baús que ocultam tesouros
Que por anos, talvez séculos
Permaneçam intactos no fundo do mar.
Meu coração é assim
Uma caixinha dourada
Cuidadosamente guardada

Pela importância do que lá existe.
É nela, nesta caixinha preciosa
Onde estão as minhas emoções mais queridas
As mais antigas, as bem vividas
Aquelas que não podem ser esquecidas.
Sei que muitas ainda estão por vir,
E lá serão guardadas com carinho.
E quando delas precisar,

No tempo de recordar,
Eu a abrirei com certa ânsia infantil

E deixarei novamente brotar
Cada momento de paixão e alegria
Que me trará de volta a sensação
De imaginar que fui feliz um dia.
Leila Abreu/2006

5 de janeiro de 2006

QUANDO CHEGARES...
( Poesia de JG de Araujo Jorge - extraído do livroDe mãos dadas- 2a edição 1966 )


Não sei se voltarás, sei que te espero.
Chegues quando chegares, ainda estarei de pé, mesmo sem dia,mesmo que seja noite, ainda estarei de pé.
A gente sempre fica acordado nessa agonia, à espera de um amor que acabou sendo fé...
Chegues quando chegares, se houver tempo, colheremos ainda frutos, como ontem,a sós; se for tarde demais, nos deitaremos à sombra e perguntaremos por nós...

4 de janeiro de 2006




Sei que a vida é curta
Que muitas vezes quando começamos a
aprender as manhas,
É chegada a hora de partir.
Então quero celebrar cada minuto,
Entrar de cabeça em cada novo projeto,
Construir minha paz interior,
Para que o caos não me tire a lucidez e
o equilíbrio.
Eu quero viver o amor, crescer o amor,
cuidar o amor.
Pegar no colo um sentimento recém nascido
E criá-lo, mimá-lo, adorá-lo, educá-lo como
a uma criança.
Não importa o objeto desse amor
Eu quero amar.
E amando, quero aprender a não precisar
ter amor em troca.
Eu quero amar, e que esse amor seja completamente
incondicional.
Amar pelo amor somente.
Amor semente.
Amor.
Quem sabe assim eu consiga preencher o vazio
que foi ficando no caminho.

Leila Abreu/2006

2 de janeiro de 2006

Ah, como eu quero não lutar tanto
Contra este sentimento
Que insiste em não morrer.
Quero muito te alcançar,
Correr o mundo, te buscar
Passar a limpo o coração,
Me desfazer desse rascunho,
Escrever certo nosso destino
E libertar esta paixão,
Que é sofrimento, desatino.
Ah, como eu quero
Entregar-me sem demora
Recomeçar essa história
Sentar na grama com você
Beijar, gargalhar, morder
Fazer todas as bobagens
Que só quem ama tem coragem
Explodir em mil orgasmos
Nesse corpo tão amado
Olhar bem fundo os teus olhos
E sem piscar, me declarar
Dizer bem alto, gritar
Que o amor nunca morreu
Apenas adormeceu
Ah... como eu quero te encontrar
Meus medos compartilhar
No teu colo aninhada
Ouvir você me dizer
Que me aceita, quer me ter
Que lembra todos os momentos
Dos mais bobos aos mais intensos
Que cultivou a esperança
De rejuntar os sentimentos
Que o amor tão bem guardou
Na cela fria do tempo
Por entre dores e lamentos
Cresceu e fortaleceu
E que hoje é fruta madura
No seu coração e no meu.
Leila Abreu/2006