27 de fevereiro de 2006

Medo




Quando você me beijou daquele jeito
Me invadindo a boca com tua lingua doce
Perscrutando sem pudor todo o meu ser
Despertando em mim essa vadia
Essa louca desvairada em pleno dia
Que te assanha e te devora em ondas
E te lanha as costas de prazer
Não mediu nenhuma consequência
Não atinou prá minha incoerência
Não queria, mas no fundo eu sabia
Sabia o quão breve seria
Que essa coisa de paixão é uma fria
Quando a gente pensa que tá quente
Vem o outro e tira o barato da gente
Joga a água fora da bacia
E encerra no melhor momento
Quando tudo é quase sentimento
Procurei então não me iludir
Mas o coração é um bicho muito chato
Quando gruda é que nem carrapato
E não entende nada de ceder
Agora eu passo as horas te querendo
Fazendo tudo prá te enlouquecer
Teu corpo é prá mim religião
É tudo que desejo, obsessão
Me diga logo se também me quer
Me tira dessa angústia, sou mulher
Ao menos tente um pouco entender
Fazer minhas vontades de te ter
Mas se isso for algo impossível
Me ensina urgentemente a te esquecer
Leila Abreu/2006

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