Este é um lugar onde meu coração pode expressar-se livremente. Um refúgio para as horas em que gosto de estar comigo mesma para compor e armazenar meus versos, que são uma forma de transcender e sonhar, de fugir do duro cotidiano. Sonhar...até onde os limites da minha imaginação deixar.
8 de dezembro de 2005
Natal em Nova York




Natal em N. York é algo assim, bucólico, iluminado, colorido. O espírito natalino toma conta da cidade e de seus cidadãos. Difícil ver uma janela onde não hajam enfeites, luzinhas piscando, faixas verdes e vermelhas, laços. Impressionou-me, ao passar pelo cemitério, ver
todos os túmulos enfeitados com guirlandas natalinas. Lá, os mortos também entram no clima.
Nas ruas, os novaiorquinos andam depressa com seus sobretudos elegantes e pacotes, pacotinhos, pacotões quase a escorregar-lhes das mãos. Como eles compram, meu Deus, como consomem!
Meu Natal em NY foi inesquecivel, por vários motivos. Porém, de tudo, o que mais ficou foi a lembrança desse clima natalino extremamente presente em todos os detalhes. Respira-se Natal e esse cheiro ficará em minha memória olfativa prá sempre.
Saudade daquela cidade excêntricamente mágica. Mas um dia, se der, ainda volto lá. Se não der prá voltar, a lembrança do natal novaiorquino me visitará em todos os natais de minha vida, onde eu estiver. E quem tem lembranças, tem asas.
E você não veio

Acontece que você demorou muito
Eu já não conseguia esperar tanto
E fui andando na direção oposta
Perdida em pensamentos, sem encanto
Não vou dizer que a tua ausência foi ruim
Perambulei entre a espera e a esperança
Mas nesta vida a gente não tem garantia
Precisa crer como se fosse uma criança
Meu coração acreditou na tua chegada
Apostou tudo, chorou só nas madrugadas
Enfim cansou, já não quer mais se iludir
É muito tarde, chegou a hora de partir
Me diz, então, como entender esse mistério?
De querer tanto e de repente se ver só
Já é verão, mas minha noite será fria
A solidão me amarrou e deu um nó
Leila Abreu/2005
7 de dezembro de 2005
6 de dezembro de 2005

Os sonhos que vivi contigo
Foram sonhos atrevidos
Daqueles que sequer se fala
Nem mesmo ao melhor amigo
Talvez nem sejam assim tão sonhos
Que sejam, então, sutis delírios
Daqueles que se escutam os ecos
No som suave dos suspiros
São sonhos de um amor tão lindo
Tela extravagante do meu ser
Pequenos devaneios íntimos
Que tento agora descrever
Me vem agora um certo medo
Da realidade em mim verter
Eu quero mais é não acordar
Dos sonhos do meu bem-querer
Jardim das minhas desventuras
Floresta em forma de candura
Oceano eterno de doçura
Amor que dorme enquanto dura
Assim seremo nós, um dia
Até a noite amanhecer
Viver eternamente tua
Morrer de amor e de prazer
Leila Abreu/2005
Gritos do Silêncio

O silêncio grita em mim
Em forma de suave cantiga
Grita que eu quero crescer
Derramar-me nessa história
Sentir gosto no viver
O silêncio grita alto
Grita tanto que ensurdece
Finjo que não escuto o som
Da alma que em mim padece
Silencio para ouvir
O grito desse coração
Que de tanto em mim gritar
Já não pode ser ouvido
Também não pode calar
E quanto mais ouço gritos
Mais silêncio em mim se faz
Vou fugir na madrugada
Fazer castelos na areia
Quem sabe assim, serei paz
Leila Abreu/2005
4 de dezembro de 2005
Não Sei - (Cora Coralina)

Não sei... se a vida é curta ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe, Braço que envolve, Palavra que conforta,
Silêncio que respeita, Alegria que contagia, Lágrima que corre,
Olhar que acaricia, Desejo que sacia, Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta,nem longa demais,
Mas que seja intensa,verdadeira, pura...Enquanto durar
(Cora Coralina)
3 de dezembro de 2005
Beijo
Meu mundo se coloriu
Minha fala ficou muda
Meu coração ao teu se uniu
Depois daquele beijo
Nunca mais eu me juntei
Os pedaços da minha alma
Prá você eu entreguei
Depois daquele beijo
Tanta coisa aconteceu
Fui tua, somente tua
Mas você nunca foi meu
Depois daquele beijo
Tudo que eu tinha, te dei
Não foi coisa de momento
Fui rainha e te fiz rei
Depois daquele beijo
Jamais serei como antes
O amor me acometeu
Fez de mim eterna amante
Leila Abreu/2005
Amor Fino - Pe. Antonio Vieira

"O amor fino não busca causa nem fruto”.
Se amo, porque me amam, tem o amor causa;
se amo, para que me amem, tem fruto.
o amor fino não há de ter por quê nem para quê.
Se amo por que me amam, é obrigação, faço o que devo;
se amo para que me amem, é negociação, busco o que desejo.
Pois como há de amar o amor para ser fino?
Amo, quia amo, como ut amem: amo, porque amo, e amo para amar. Quem ama porque o amam, é agradecido;
quem ama, para que o amem, é interesseiro;
quem ama, não porque o amam, nem para que o amem, esse só é fino.
Pe. Antonio Vieira

Ah...solidão
Companheira dos amores perdidos
Corações sofridos
Versos inspirados
Pesada mão sobre o peito angustiado
Dos que tiveram amores repartidos
Paixões mal resolvidas
Desencontros na chegada
Oprime corações flechados
Eterniza as madrugadas
Faz o tempo parar na agonia
Dos que amam e já não são amados
Embota sorrisos
Anestesia a felicidade
E lança no ar um sentimento
Que se materializa na saudade
Leila Abreu/2005
1 de dezembro de 2005
Floripa em noite clara de lua cheia
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