23 de novembro de 2011

Não te rendas

Aceitar tuas sombras,

Enterrar teus medos

Soltar o lastro,

Retomar o voo.

Não te rendas que a vida é isso,

Continuar a viagem,

Perseguir teus sonhos,

Destravar o tempo,

Correr os escombros

E destapar o céu.

Não te rendas, por favor, não cedas,

Ainda que o frio queime,

Ainda que o medo morda,

Ainda que o sol se esconda,

E o vento se cale,

Ainda existe fogo na tua alma.

Ainda existe vida nos teus sonhos.

Porque a vida é tua e teu também o desejo

Porque o tens querido e porque eu te quero

Porque existe o vinho e o amor, é certo.

Porque não existem feridas que o tempo não cure.

Abrir as portas,

Tirar as trancas,

Abandonar as muralhas que te protegeram,

Viver a vida e aceitar o desafio,

Recuperar o sorriso,

Ensaiar um canto,

Baixar a guarda e estender as mãos

Abrir as asas

E tentar de novo

Celebrar a vida e se apossar dos céus.

Não te rendas, por favor, não cedas,

Ainda que o frio te queime,

Ainda que o medo te morda,

Mario Benedetti – Wikipédia, a enciclopédia livre
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Mario Benedetti (Paso de los Toros, 14 de setembro de 1920 — Montevidéu, 17 de maio de 2009) foi um poeta, escritor e ensaísta uruguaio. Integrante da Geração de 45, a qual pertencem também Idea Vilariño e Juan Carlos Onetti, entre outros. Considerado um dos principais autores uruguaios, ele iniciou...
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