13 de abril de 2006

Guerreira vencida


Quem ousa interromper
O silêncio da guerreira
Que se refugia ao longe
Recostada na trincheira?
É ele, esse tal cupido
Que vem todo esbaforido
Um coração, alvo certo
Louco para alvejar
Eis que ela, mais esperta
Esgueira-se na floresta
À procura de abrigo
Tentando se resguardar
E o coitado do cupido
Desiste, enfim, cansado
Pragueja contra a moça
E some contrariado
Sentindo-se então, segura
Sai ela do esconderijo
E voltando pela mata
julga-se fora de perigo
Mas quando menos espera
Sente por trás um esbarrão
E num gesto inusitado
Se vira pronta pro ataque
Mas cai num golpe ao chão
A guerreira, então, se dá conta
Da flecha que lhe rasga o peito
E ao levantar o olhar
Se depara com um sujeito
Sente um arrepio profundo
E o corpo a estremecer
É a intuição que lhe avisa:
Algo vai acontecer
A armadura de guerreira
Sente vontade de tirar
Seus lábios sentem desejo
Daquela boca beijar
E num rompante inesperado
De repente ela se vê
Nos braços do tal sujeito
A chorar e a gemer
É então que se dá conta
Do que foi lhe acontecer
Cupido, menino guerreiro
Num golpe rápido e certeiro
De surpresa, à queima-roupa
Conseguiu a guerreira vencer
Leila Abreu/2006

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