26 de fevereiro de 2007

CONTRADIÇÕES



Minha face lunar veste-se de tristeza.

Minha face solar tenta se alegrar.

Esta sou eu,

Estranhamente contraditória,

Peculiar, aleatória.


No baile de máscaras

Vou vestida de mim.

Só prá destoar...

E provocar.


Mas passei pelo salão,

E nem me fiz notar.

Porque todos sorriam,

E eu era a única

Que não achou graça.


Não gargalhei,

Não chorei.

Apenas passei

Com meu eu transparente

Como passam as nuvens

Levadas pelo vento.

E ninguém nota...


Apenas o poeta percebeu,

E tudo entendeu,

Porque o poeta interpreta

O silêncio que grita,

A dor que cala,

A tristeza vestida de ninfa.

Sua poesia consola,

E me faz sentir compreendida.


Mas minha face lunar prevalece,

E minha face solar finge que amanhece.

Porém, nos confins do meu íntimo,

Minha alma anoitece.


Leila Abreu/2007

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