27 de junho de 2006

Sobre Poemas


Um poema tem muitas faces
A face da dor
A face da loucura
A face da ternura
A face do amor
Um poema às vezes chora
Às vezes sorri
Às vezes comemora
Um poema às vezes só namora
Também vacila
Também cochila
E até se altera, se a inspiração demora
Um poema às vezes fala
Tenta se comunicar
E entendê-lo é preciso
Cada qual tem sua versão
Uns entendem, outros não
Depende de como se lê
Com a razão
Ou com o coração
Mas não importa
Um poema é sempre um gatilho
Que dispara a emoção
Leila Abreu/2006

15 de junho de 2006

Amor Infinito


Por todas as noites que eu
pude ter você comigo
Por todos os beijos que selaram
um amor sem fim
Pelos amassos escondidos
Pelas brigas por ciúmes
Pelas pazes feitas sob lágrimas
de alegria
É que eu te digo, amor meu
Jamais haverá outro em minha
vida
Roubastes meu coração
Roubei o teu
Seremos prá sempre amantes
Você e Eu.
Leila Abreu/2006

9 de junho de 2006

Luz


Um dia eu tive medo do escuro
E das sombras que nele se
Ocultavam
Porque a escuridão fazia parte
Dos meus dias
E a vida era um baile de máscaras
Onde as pessoas, desfilavam suas
fantasias
Hoje, o escuro já não me amedronta
Porque minha luz aprendeu a clarear
E a escuridão não é nada
Se eu souber nela, minha alma espalhar

Leila Abreu/2006

Menina Gueixa


Eu vou te dizer tantas vezes
Desta menina que insiste em me
Habitar
E te fazer entendê-la
É minha sina
Porque ela existe
E tem carências
Até emudece
Quando está triste
Fica com medo
Quando te busca sem
Te encontrar
Da tua mão, ela precisa
Porque é ainda tão menina
Adora colo
Corre feliz pro teu braço
Querendo mimos
Olhos nos olhos
Porém se teu corpo acende
Já não importa
Vira mulher de repente
E te domina
Já não é mais uma menina
É tão somente amante
Fogosa, ardente
Envolvente
Vira e mexe
Independente
A tua gueixa
Sempre pronta
Para os desejos teus
Realizar

Leila Abreu/2006


Apenas Eu


Não me cobre coerência
Mergulhe fundo
Com sapiência
No lago da minha alma
E contente-se com o que tem lá
Jamais serei como gostarias
Sou diferente
Talvez princesa
Talvez mendiga
Nem tanto à terra
Nem tanto ao mar
Apenas eu
Uma mulher incoerente
Sereia
Serena
Rio de água doce
Às vezes mar
Com hora prá partir
Sem hora pra chegar
Leila Abreu/2006

8 de junho de 2006

Feliz Idade


A felicidade já está a caminho.
Posso senti-la caminhar a passos lentos,
Confiantes e constantes
Sem pressa de chegar.
Porque a chegada da felicidade
Requer entrada triunfal
Certa dose de paciência
E um certo merecimento
Pode chegar, velha senhora!
Bem-vinda a esta existência
A vida nem sempre foi bela
Mas nunca deixei de apostar
Na tua vinda
Se estás a caminho
Devo à minha persistência
Leila Abreu/2006

3 de junho de 2006

Deleite


Deita teu corpo sobre o meu
Dá-me um pouco de calor
Eu te envolverei num abraço
Porque com você, sou toda amor.
Quando deitas sobre mim
Sinto arder a paixão
Sinto um sentir diferente
Sou lava do teu vulcão
Deita teu corpo sobre o meu
Deixa-me em êxtase total
Divide comigo o prazer
Deste momento fatal
Leila Abreu/2006

2 de junho de 2006

Direta


Deixei a porta aberta de propósito prá vc entrar
E bagunçar minha vida, minhas convicções
Eu permiti tua chegada assim, desvairada
E não culpo você, muito menos eu
Só não me venha com esse papo
De que não ama porque nunca foi
amado
Porque o amor não se controla
Se vem, vem com tudo
E a gente deita e rola
Leila Abreu/2006

No Stress


Eu gosto tanto de você...
Que até me emociona
Essa total incoerência
De achar que o amor
Me dará o passaporte
Prá me livrar de vez da dor
A dor do gostar da tua voz
A dor do gostar do teu jeito
E não poder te mostrar
Nâo poder abrir meu peito
Mas quem disse que o amor
É passível de coesão?
Aliás, o amor é louco
Transtorna e alucina
Joga tudo pelos ares
E o mistério prevalece
Quando fecham-se as cortinas
Pois entre quatro paredes
Tudo de fato acontece
O que é triste se alegra
O que é alegre, entristece
Mas voltando ao objeto
A razão deste poema
Saiba que minha loucura
É tentar viver o amor
E continuar na minha
Desta forma assim, serena
Leila Abreu/2006

Idílio


Quero escrever um poema
Que não fale de você
Mas sei que é pura bobagem
Pois te trago aqui guardado
Já faz parte da bagagem
No dia que eu conseguir
Esquecer meu coração
Partirei desta miragem
Sairei toda contente
Liberta desta paixão
Serei uma alma livre
Não mais presa ao passado
Terei pago um alto preço
Por ter me apaixonado
Leila Abreu/2006

Solidão


Solidão amiga
Solidão bonita
Solidão me abraça
E me dá guarida
Solidão é vida
Solidão é morte
Solidão é nada
Solidão é sorte
Tenho medo não
Dessa solidão
É um alimento
Pro meu coração
É saliva doce
É puro tesão
É a paz que encontro
Prá fugir do mundo
Prá ficar na minha
Pura ilusão
Solidão carrasca
Que maltrata, arrasta
Tirando meu chão
Abraçando meu viver
Me deixando essa vontade
De dormir, quase morrer
Mas alguém me localiza
Me arranca pela mão
Me abraça, me belisca
Me faz voltar desse sonho
Desse quase compromisso
De gostar de solidão

Leila Abreu/2005

Meus Versos



Escrever é o que me resta
Assim sem rumo, sem aresta
Simplesmente desenhando
Sentimentos, emoções
Palavras que vêm de dentro
Jorradas sobre o papel
É o sentido de uma vida
É o meu sonho, meu céu
Quando escrevo, não me importa
O que os outros vão pensar
Escrever me alivia a alma
É catarse, é tempestade
É fuga da dor infinda
Da ferida da saudade
Saudade de um tempo bom
Que já passou ou que vai vir
É algo que está cá dentro
Incomodando meu viver
A cura, só existe uma
Sentar, suspirar, escrever.

Leila Abreu/2006

Tentação


Quando eu soltar os grilhões
Que me impedem te alcançar
Verás então esta louca
Que insisto em te ocultar
Verás que ela não tem freio
Nem pudor, nem piedade
Verás o que nunca viste
Este corpo, esta gazela
Nâo conhece saciedade
Talvez goste, talvez não
Ela é total devaneio
Ela é o fim, é o meio
É a busca e o encontro
É a falta, a fartura
É o prazer e o encanto
Tire o véo, puxe este manto.
Se não for do teu agrado
Não precisa se prender
Feche a porta, cerre os olhos
Tranque a mente e o coração
Ela não o chamará de volta
Nâo implora compaixão.
Talvez ela chore sozinha
Afinal, é uma mulher
Depois seguirá cantando
Outros encantos buscando
Outros mares a explorar
Bocas, olhos, pêlos, pele
E a volúpia de sempre
Afinal, peculiar.
Leila Abreu/2006