28 de maio de 2006

VIDA


Tantos anos passados em vão
Em busca de algo que fizesse sentido
Qualquer coisa que justificasse o
vazio
Que insiste em inundar, como
um rio
Jamais encontrei as respostas
Nem mesmo uma direção
Volto, cansada, ao ponto de partida
Desisto
Talvez a resposta não exista
Ou seja, enfim, a própria VIDA.
Leila Abreu/2006

Entregue



O teu sorriso me encontrou num dia
estranho
Pousou em mim como uma brisa
Invadiu meu território sem sequer
me consultar
Entrou na minha alma como um
raio de luz
Iluminou meus caminhos de escuridão
Enfrentou o exército da minha resistência
Montou cavalaria em minha fronteira
E me conquistou para sempre
E desde então, sou tua....
Assim desta maneira
Inteira!
Leila Abreu/2006

23 de maio de 2006

Loucura


Me tira prá dançar
Me chama de paixão
Me beija no pescoço
Me enche de tesão
Eu digo que te adoro
Eu não faço questão
Eu quero é ser só tua
Razão e coração
E a gente se alimenta
Na doce ilusão
De sermos dois malucos
Em busca de emoção
E juntos nesta dança
De corpos e desejos
Gastamos nosso tempo
Pagando nossos beijos
Leila Abreu/2006

O caminho


Onde levará o caminho?
Não consigo antever a próxima
paisagem
Deduzir pelo que vejo agora, é
inútil
O caminho me chama, parece
escuro, amedronta
Reluto alguns instantes diante
do imponderável
Sou um mar de interrogações
Fecho os olhos e um suspiro
incontrolável corta o silêncio
Rendo-me, enfim, ao chamado
Estrada adentro, caminho e
me surpreendo
Já não hesito, ou lamento
Começo, corajosa, essa jornada
Nada irá deter o meu destino
E vou inteira nessa imprevisível
caminhada!
Leila Abreu/2006

Enredada


Na rua dos prazeres teus
Me perco infinita
De te amar, tento me conter
Mas novamente me perco
Perco a desenvoltura
Perco a altivez
Só não perco a ternura
E peco por não me encontrar
Porque você me prende inteira
Enquanto eu luto e busco a lucidez
Você me desnorteia com seus mimos
de gato siamês
Leila Abreu/2006

Tristesse


Manhã de sol
Nuvem que passa
Passo sem te notar
A tarde cai desanimada
Sou toda solidão
Cacos de vidro esparramados
A bebida pelo chão
Um minuto de silêncio
Já não bate este coração

Leila Abreu/2006

22 de maio de 2006

Bilhete


Penso nos momentos que deixei
passar
Nas horas desperdiçadas a te dizer
tolices
Nos dias ensolarados que perdi e que
poderiam ter sido gastos ao lado teu,
Quem sabe eu de chapéu e camafeu
E você de fraque e cartola, todo engomado
Mas já se vão os anos, lá se vão os desejos
e foram-se, um a um, os nossos beijos
Restou essa lembrança doce
E esse sentimento amarrotado
Que me brotou agora, de repente
Ao ler esse bilhete encriptado
Que achei na gaveta sem querer
E que me trouxe a certeza
Pelo papel amarelado
Que o tempo leva tudo pelo
ralo
Mas neste coração encouraçado
Ficou o cheiro forte da lembrança
Daquele coração apaixonado
Do amor que hoje é nada e jaz
assim
No corpo envelhecido, amargurado.
Leila Abreu/2006

Silente


Existe um silêncio dentro
do meu mundo,
Que eu tento encher de sons
mudos.
Um silêncio profundo, quase
abissal...
Que toma conta de mim sempre
que eu penso em nós dois e nas respostas
que ensaiei te dar.
Mas diante desse silêncio ensurdecedor
e cheio de tolices,
Peço licença prá minha própria insensatez,
E solto meus pulmões cheios de palavras
sufocadas.
No entanto, consigo apenas dizer, quase
balbuciar...
Te amo, Te amo, Te amo!
E amando, sigo meu caminho sem você,
Ora sorrindo, ora chorando...
Oras! Apenas lembrando.
Leila Abreu/2006

18 de maio de 2006


Eu adoro poesia
A poesia me adora
E juntas fizemos um trato
Que ninguém irá embora
Mas há dias em que não dá
Por mais e mais que eu me esforce
A poesia adormece
E eu fico assim acordada
Tentando rimar os versos
Numa luta agoniada
Leila Abreu/2006

17 de maio de 2006


Que a luta por dias melhores
Seja a nossa preocupação
Estamos anestesiados
Porque perdemos a noção
Já esquecemos o que é ter Paz
E o que é viver sem preocupação
Olhamos o mundo através de grades
Somos reféns!
Deveríamos ser cidadãos.
Leila Abreu/2006

11 de maio de 2006



Ontem te vi por aí
Como alguém que não soubesse
O quanto é querido e amado
E andasse pelas ruas
Com esse ar de machucado
Tentei, em vão, te alcançar
Queria poder ouvir
O porquê do seu penar
O motivo do partir
Mas você já ia longe
Andando tão apressado
Meu amigo, volte logo
Encontre logo a razão
Saia desse emaranhado
Você verá que é possível
O amor pode curar
As mazelas que te afligem
As dores e as cicatrizes
Permita-se libertar
Leila Abreu/2006

Amor em segredo


Fiz um poema canção
Prá te mostrar um segredo
Do amor que senti um dia
Mas dele fugi de medo
Resolvi, então, escrever
Em forma de poesia
E que você pudesse ler
Assim, numa noite fria
Quem sabe bebericando
Um vinho tinto importado
Ouvindo um sax romântico
E, de surpresa, ser apanhado
Se outrora eu te amei
Um amor assim escondido
Hoje eu entrego os pontos
Amar assim é castigo
Só preciso te falar
Desabafando meu peito
Que por nada desse mundo
Jamais e em tempo algum
Amarei alguém desse jeito
Leila Abreu/2006

MÃE


Mãe...
Emoção....sentimento
Razão e discernimento
Toalhas limpas no armário
Comida boa no fogão
Reprimenda do mal feito
Colo quente e perdão
Mãe...
A perfeita criação
Até quando está cansada
Tem um sorriso bondoso
Às vezes uma palmada
Mãe...
Mesmo quando castiga
Tem a boa intenção
Ensinar que neste mundo
Há que ser ter educação
Mãe...
Jamais poderia trocar
A minha é maravilhosa
Me amou e me protegeu
Êta mulher poderosa!
Leila Abreu/2006

10 de maio de 2006

Quase um Poema


Um segundo do teu tempo
Já me faria feliz
Poder dizer o que sinto
Que te amo por um triz
Falar-te assim do meu mundo
Mostrar que quase te quero
Seria um sonho profundo
Que eu ainda espero
Dá-me um pouco de atenção
Prometo não me alongar
Direi que é quase paixão
O que tenho prá te dar
Sendo assim, fica o pedido
Terás tempo prá pensar
No que seria a proposta
De talvez te namorar
Leila Abreu/2006

A senha deste coração
Nem eu mesma lembro mais
Ficou perdida no tempo
Quando a felicidade
Era namorar na rua
Encostada no portão
Esperando o pai dormir
Prá soltar a emoção

Preciso urgentemente

Achar alguém que entenda

De senhas e seus segredos

E meu coração desvende

E ainda, o mais importante

Que queira me traduzir

Entrar dentro do meu peito

E sem pedir nem licença

O meu coração abrir

Leila Abreu/2006


3 de maio de 2006

Poemas


Poemas são como espelhos
Que refletem o coração e
os sentimentos da alma,
Todos os tons da emoção.
Quando escrevo um poema
É como se descortinasse
As janelas do meu peito
E todo meu eu, mostrasse.
Poemas são instrumentos
De tortura ou de prazer
Pois quando entram em cena
Escancaram meu viver.
Poemas são cantilenas
Às vezes, rock paulera
E tanto podem ninar
Como com a calma acabar
Os poemas da minha vida
Dizem sempre quem sou eu
Um tanto quanto esquisita
Flor de Lis dos sonhos teus
Leila Abreu/2006