29 de março de 2006

Nada sei!


Eu não sei quando foi que perdemos
Os sentimentos todos que tivemos
As emoções todas que sentimos
Aquela vontade de amar
Eu não sei quando foi que nos perdemos
Eu não sei quando foi
Eu não sei
Eu não
Eu
Só sei que nos deixamos passar
Só sei que nos deixamos desistir
Só sei que nos deixamos
Só sei que
Só sei...
Que não sei mais nada!
Leila Abreu/2006

Os versos que nascem tortos
E não conseguem endireitar
São versos da vida real
São pura vida, afinal
Vivendo meio sem sentido
Morrendo de inanição
Dentro da vida infernal.
Leila Abreu/2006

Quando os olhos teus
Esverdeados e doces
Lançaram-me duas lanças
Contendo a palavra adeus
O mundo parou de girar
E eu logo constatei
Que a vida ia mudar
Já não veria nenhuma graça
Nas coisas que eu amava
Pois um "quê" de melancolia
Seria o que me restava
Tentei, então , me conformar
Mas era tarde demais
Meu amor já ia longe
Precisaria renascer
Prá conseguir voltar atrás.
Leila Abreu/2006

28 de março de 2006



Preciso tirar férias de mim. Ando com vontade de mudar de cara, de coração, de corpo, de tudo! Meu espelho mostra uma mulher que não conheço direito, que se sente aprisionada nela mesma, que tem fome de viver e que precisa, desesperadamente, amar e ser amada. Urge que eu viaje de mim mesma para, quem sabe, me olhar de fora, me analisar, me conhecer melhor, talvez. Mas a vida não nos dá oportunidade de sair e voltar assim. Esse processo de auto-descoberta, auto-conhecimento, ou seja lá o nome que for, precisa ser feito comigo dentro. É impossível ir lá fora e de lá, olhar cá dentro. Por isso, vou tirar férias, mini-férias, prá viajar comigo, mas comigo dentro de mim mesma mesmo. Talvez issome dê uma nova visão das coisas. Sair de um lugar prá outro totalmente diferente é bom. Permitir que os olhos alcancem novas paisagens, que o olfato sinta novos odores, que a boca prove novos sabores é agregar novos conhecimentos. Estou precisando disso. Quando eu voltar, talvez já nem tenha mais essa necessidade esquisita de tirar férias de mim mesma e passe a me sentir bem comigo mesma novamente. Essa viagem será a minha viagem, dentro da viagem maior que é a vida. Estarei feliz, estarei plena de esperanças. Na vida, é preciso ter coragem para ousar. Claro que a ousadia tem um preço. Tomara Deus que valha à pena. Namastê! Bye bye.

27 de março de 2006



O silêncio que se fez
Entre teu corpo e o meu
Na hora H do amor
Foi o início do abismo
que descemos sem sentir
E nos tirou a vontade
E a cadência do ir e vir
Imóveis assim nesta cama
Já não achamos sentido
Em continuarmos juntos
Nessa falta de libido
Leila Abreu/2006

25 de março de 2006


Tenho saudade de um futuro
Que ainda não chegou
Tenho saudade de um mundo
Que Deus ainda não criou
Quando o futuro chegar
Não sei se estarei aqui
Mas lá, aonde eu estiver
Sei que estarei mais feliz
Leila Abreu/2006

Sou nau sem rumo, perdida
Em busca do porto seguro
Me dá tua mão, me resgata
Compartilharei contigo a vida.
Leila Abreu/2006

Quisera ser andorinha
Prá liberdade ir buscar
Sair voando sem rumo
E sem pensar em voltar
Quisera ser borboleta
E no seu jardim pousar
Te encantar com minhas asas
E com elas te abraçar
Quisera ser qualquer coisa
Qualquer coisa menos eu
Quem sabe primeira-dama
Retrato de camafeu
Quisera ser deste mundo
E contra injustiças lutar
Mas vim de outro planeta
E não consigo voltar
Quisera não querer nada
Jamais pensar em querer
O querer é o que mata
Mesmo assim, quero é viver!
Leila Abreu/2006

Tamanha era a fome de amar
Que ela entregou a alma
Ao amor de sua vida
Tamanha era a sede de viver
Que ela sorveu o sangue
Da ferida que se fez
Leila Abreu/2006

A felicidade partiu num domingo à tarde
Independente da minha vontade
Sem fazer alarde
Simplesmente mudou de cidade,
A felicidade.

Leila Abreu/2006

24 de março de 2006

Desculpem - Ivy Wyler

Desculpem-me os infelizes,mas estou explodindo de felicidade
Desculpem-me os insensíveis,mas quero morrer nesse sentir
Desculpem-me os surdos,pelo deleite que essa música me traz e os mal-amados,porque morro de amor...
Os abstêmios,pelo prazer que essa bebida me proporciona....os cansados, desiludidos, carentes....Sou plena,intensamente EU,amada, desejada, querida.
Desculpem-me os famintos: delicio-me com esse prato.

Desculpem-me os poetas...não pretendo fazer poesia...Sou, simplesmente.

Com toda a liberalidade das paixões,
Com toda a consciência do ser,estar, do sentir, do querer.
E que venham todos: amados, amantes, mal-amados.
Postem-se, todos.
Meu querer os prostrará.
(Ivy Wyler)

23 de março de 2006


Tenho esse sonho maluco camuflado
De te ver chegar assim um dia
Entrando pela porta principal
Sorrindo com esse jeito de malandro
Dizendo que eu sou "a tal"
E me pegando assim de jeito
Me rodando e me fazendo tontear
Vai sussurar aqui no meu ouvido
Mil beijos só prá provocar
Sonhar não custa mesmo nada
É só os olhos eu fechar
Deixar correr a fantasia
E nela me realizar
Leila Abreu/2006

22 de março de 2006

Longa espera


De tanto te esperar
Meus cabelos embranqueceram
Minha pele já não brilha
Minhas mãos já não são firmes
De tanto te esperar
Eu ainda esperaria tantas vidas mais
Até que tu viesses cansado
De tanto me ver aqui, à tua espera
Leila Abreu/2006
O PIANO
(Nalú Nogueira)

Decifra-me.
Se me queres,tenta-me.
Há portas que estão apenas aparentemente fechadas.
Abre-as.
Uma delas dá acesso a uma sala e dentro dela há um piano.
Entra.
E toca-me.
Se teus dedos produzirem música,
terás me aprendido.

10 de março de 2006

Perdição


Tenho medo do futuro
Porque você não estará lá
Me esperando na esquina
Quando o futuro chegar
Ó pássaro alado na minha alma
Que tenta voar, mas não consegue
Por isso eu lhe peço, fique!
Prá que minha alma se liberte
Sem você, já não há vida
Dentro de mim está deserto
Por isso eu lhe peço, fica!
Eu te quero aqui bem perto
Andorinha do meu verão
Meu amor vai te esperar
Com o verde da esperança
E a crença de uma criança
Leila Abreu/2006

9 de março de 2006

Mude seu destino!

Esta é minha singela homenagem às mulheres que ainda sofrem com a violência doméstica, seja no Brasil, seja em qualquer outro país. É hora de levantar a cabeça e seguir em frente, enfrentando o medo e todos aqueles obstáculos que, quando se está fragilizada, parecem tão intransponíveis. Mulheres, digam NÃO ao conformismo, procurem ajuda, tenham coragem de mudar o seu destino. Acreditem, vocês têm força suficiente para isso e muito mais!
Você mulher, que dorme com o inimigo
Aquele que te falta com o respeito
Levante a cabeça sem receio
Procure ajuda que é o seu direito.
Porque se você se calar e nada fizer
A tua vida vai desmoronar
Não deixe que teus filhos sofram mais
Reaja, denuncie! És capaz!
O amor só vale quando é raio de luz
Que ilumina, aquece e também acolhe
Aquele que é prá você uma ameaça
Precisa ser punido, não te fará falta
Levante a cabeça, faça o que é preciso!
A tua dignidade está em jogo
Mereça a força que você tem no coração
A vida é alegria!
Sofrer é ir na contramão.
Leila Abreu/2006

6 de março de 2006

Poemas tristes


Um dia a gente acorda e senta na cama
E a vida passa toda como no cinema
Imagens desconexas, outras nem tanto
E vem a inspiração para os poemas
São dias em que só há melancolia
Lembranças de um passado já distante
Que insiste em nos lembrar o que esquecemos
Porta-retratos expostos na estante
A paixão que nos tirou da seriedade
A traição que nos fizeram por maldade
Histórias que fizeram nossa história
E que nem sempre moram na saudade
Então escrever é o que eu faço
Tentando me livrar desses fantasmas
Me viro do avêsso na poesia
E nascem esses poemas cabisbaixos
Leila Abreu/2006

Canção por você


Hoje nasceu uma canção aqui dentro
Veio nascendo devagar e silenciosa
Cresceu dentro de mim e fez viver
A parte em mim que eu acreditava morta
Talvez seja uma canção de amor
Daquelas em que se canta alguma dor
Se vai vingar, não saberia dizer
Mas vou cantá-la sempre prá você
Só por você.
Leila Abreu/2006

2 de março de 2006

Tentação


Quando eu soltar os grilhões
Que me impedem te alcançar
Verás então esta louca
Que insisto em te ocultar
Verás que ela não tem freio
Nem pudor, nem piedade
Verás o que nunca vistes
Este corpo, esta gazela
Nâo conhece saciedade
Talvez goste, talvez não
Ela é total devaneio
Ela é o fim, é o meio
É a busca e o encontro
É a falta, a fartura
É o prazer e o encanto
Tire o véo, puxe este manto.
Se não for do teu agrado
Não precisa se prender
Feche a porta, cerre os olhos
Tranque a mente e o coração
Ela não o chamará de volta
Nâo implora compaixão.
Talvez ela chore sozinha
Afinal, é uma mulher
Depois seguirá cantando
Outros encantos buscando
Outros mares a explorar
Bocas, olhos, pêlos, pele
E a volúpia de sempre
Afinal, peculiar.

Leila Abreu/2005

1 de março de 2006

Dúvida


Seria ou não seria?
É esta a questão crucial.
Seria amor o que tu sentias?
Ou seria apenas um gostar banal?
Seria ou não seria?
Quando vais me confessar?
Talvez eu até pudesse acreditar...
Mas se você disser que foi amor,
Eu juro, poderei até chorar.
Até quando essa dúvida cruel?
Rasgando o meu peito vai ficar?
Seria ou não seria, diga logo!
Assim eu poderei me aquietar.
Leila Abreu/2006

Imoral


A moralidade falsa me faz mal
Hipocrisia de um mundo banal
Onde pessoas fingem não saber
Que o absurdo é não ter o que comer
Não ter emprego, não poder pagar as contas
É não poder compar um livro para ler
É não ver jeito de dar leite para o filho
É imoral não conseguir sobreviver
Leila Abreu/2006

Auto-retrato



Existe um lugar...
Onde me sinto criança
Onde me sinto segura
Onde me sinto feliz
Existe um lugar...
Onde plantei girassóis
Onde colhi maçãs frescas
Onde desatei meus nós
Existe um lugar...
Onde o céu azul me chama
Onde a natureza reina absoluta
Onde o silêncio não perturba
Onde o amor nunca vai embora
Existe um lugar...
Onde sorrisos são belos
Onde a verdade impera
Onde rainha eu sou
Este lugar é cá dentro
Na alma, no pensamento
E é prá lá que estou indo
Descobrir e desbravar
Mistérios deste meu ser
Segredos de amor, de amar
Leila Abreu/2006

O Retorno



A tua partida encheu de silêncio a minha alma
E por mais que tentasse, sorrir eu não podia
Porque a dor de não te ter presente
Doía tanto, amor...ah...como doía
Não lembro bem o que fiz naqueles dias
Eu era apenas uma ferida aberta
Não tinha rumo, era nau perdida
Clamei por Deus naquela hora incerta
Não sei o que me arrebatou de volta
Mas consegui voltar à tona, emergir
Nâo sei dizer por quanto tempo foi
Mas eu voltei da escuridão sem fim
Daqueles dias, ficaram as lembranças
Eu sem você, sózinha a vagar
Teria sido bem melhor morrer
Do que saber que não vais mais voltar
Leila Abreu/2006

Ficamos assim



Seria cômica, se não fosse trágica
A tentativa de recomeçar
Mas esse caso já passou prá história
Tragicomédia de arrepiar
Não dá prá reviver o que morreu
Eu sinto muito, sinto que não dá
Quem sabe a vida ainda nos ensine
Lição de amor que vai virar um livro
Mas já passou...agora, é só lembrar.
Leila Abreu/2006

Quimera


Deixa eu te amar à minha moda
Sem eira, nem beira, espalhafatosa
Gritando aos quatro cantos esse amor
Mostrando sem receio ou pudor
Deixa que eu te ame assim feliz
O amor é tudo que eu sempre quis
Agora que encontrei, me deixa ser
Amada, amiga, amante prá você
Imploro, não esconda o meu amor
Pois ele é genuíno, é escancarado
Viver intensamente é o que ele quer
Te dar a minha essência de mulher
Você me conquistou, agora aguenta
Entrou no meu mundinho e me floriu
Vamos viver a nossa primavera
Nos dar direito a ter essa quimera
Leila Abreu/2006